terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Mulher

Bela donzela, és tão bela, que da tela tens de sair...
Saltas leve, habilmente, olha lá fora, tanta gente, sente teu corpo a cair.
Repara na pele, toca em ti, não é de papel, já não tens fim!
*
Jovem menina, onde vais? Eras aquela? A donzela?
Que da tela se fez sumir?
Oh rapariga, não te esqueças, não queiras tudo nem adormeças.
Já não és de tinta, não és de papel, podes ferir, cortar,
não és de papel mas podes amachucar, não tens tinta mas podes corar...
*
Quem és tu? Porque olhas tristemente esse quadro?
Tens rugas, tens lágrimas, pele de mãe, cheiro de mulher,
repara, a tua alma não cabe numa colher,
não a podes provar como um doce,
nem tão pouco a medir,
Só sentir...
*
Não queiras o quadro, nem a tela ou o pintor,
És livre, prova esse sabor...

-Camasica-

Camasica

Os tempos do tempo, do homem, do ser homem sem tempo porque não quer pensar.
Sem luz ou direcção, vai em vão, onde não quer ficar num segundo...
Segundos deste tempo, de homens com tormentos, credos e fundamentos sem tempo de maturar!
Onde ficas na linha do pensar? Do não ter? Do não querer? Do não esperar?
Guardas a escuridão! Guardas!!!
Guardas, prendam o homem, prendam o tempo, prendam os segundos, porque na vida de sempre, de Sófocles a Galileu, mudaram as ciências, as letras e o ar que inalamos, mas não mudou a essência de reter o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira ferida...a primeira dor!

-Camasica-